Com um diâmetro de 1,2 km, o asteroide 2020 XL5 é o maior dos dois asteroides da Terra já identificados. Chegou há 600 anos e vai acompanhar o nosso planeta em redor do Sol nos próximos quatro milénios.

Embora a existência de troianos terrestres – asteroides que partilham a órbita com a Terra em redor do Sol num certo ponto – tenha sido teorizada durante muitos anos, a primeira observação direta de um só foi confirmada há pouco mais de uma década. Agora há uma segunda confirmação.

Denominado 2020 XL5, este asteroide troiano tem cerca de 1,2 km de diâmetro, ou seja, é três vezes maior do que o primeiro associado à Terra, o 2010 TK7, com 400 metros. Orbita em redor do Sol na mesma trajetória do nosso planeta, mas a uma distância “prudente”, localizado no chamado ponto de Lagrange 4.

Já era um objeto conhecido da comunidade cientifica, mas ainda não tinha sido analisado detalhadamente, dadas as dificuldades de visualização por estarem “ofuscados” pelo Sol. No início de 2021 três telescópios capazes de observar este tipo de corpos – um o Optical Ground Station (OGS) da ESA nas Canárias, o Lowell Discovery, no Arizona, EUA, e o SOAR no Chile – ajudaram a equipa de Toni Santana-Ros no estudo agora publicado na Nature Communications.

Segundo os autores, o 2020 XL5 será um asteroide troiano do tipo C, o mais comum no sistema solar, muito rico em carbono. Os cálculos feitos apontam para que tenha surgido há 600 anos e permaneça em L4 pelos próximos 4.000 anos. A partir dessa altura será “tentado” por forças gravitacionais e escapará para vaguear pelo espaço.

“OS DADOS DO SOAR PERMITIRAM-NOS REALIZAR UMA PRIMEIRA ANÁLISE FOTOMÉTRICA DO OBJETO, REVELANDO TRATAR-SE PROVAVELMENTE DE UM ASTEROIDE DO TIPO C COM TAMANHO SUPERIOR A UM QUILÓMETRO”, DIZ SANTANA-ROS, “EMBORA SEJAM CONCLUSÕES PRELIMINARES QUE DEVEM SER CONFIRMADAS COM NOVAS OBSERVAÇÕES”

Em relação à origem do 2020 XL5, aponta-se o cinturão principal de asteroides, de onde podia ter sido expulso depois de uma interação com Júpiter. “Mas também não temos informações suficientes para confirmar isso com certeza”, reconhece o astrónomo citado pela ESA.

É possível que 2020 XL5 e 2010 TK7 não estejam sós: pode haver muito mais asteroides troianos terrestres que não foram detetados até agora, devido ao facto de estarem muito perto do Sol.

“OS ASTERÓIDES SÃO CÁPSULAS DO TEMPO DOS PRIMEIROS DIAS DO NOSSO SISTEMA SOLAR E PODEM ENSINAR-NOS MUITO SOBRE A ERA DA FORMAÇÃO PLANETÁRIA”

Santana-Ros alega que os troianos terrestres são particularmente interessantes, pois podem ser restos de material da formação da Terra. “Mesmo que venham de longe, as suas órbitas relativamente estáveis nos pontos de Lagrange da Terra ainda podem torná-los destinos ideais para uma missão com uma espaçonave”.

Fonte- tek.sapo

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