A empresa espanhola Indra, escolhida para apoiar as eleições em Angola e que tem sido acusada de fraude, classifica as suspeitas de “ruído político”, segundo o seu director Internacional para os Processos Eleitorais, Eduardo Tejerina González.

À Lusa afirmou, quarta-feira (23), que não há denúncias nem documentação que sustente as acusações da UNITA, sublinhando que a empresa segue a orientação da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e o que está estipulado no caderno de encargos.

“Tudo isso é muito fiscalizado pela CNE e observadores das eleições”, como aconteceu em 2017 (último ano de eleições em Angola) “e ninguém falou de irregularidades”, adiantou González, destacando que a Indra tem repetido processos eleitorais em países que, inclusivamente, “mudam de cor política”.

“Se houvesse suspeita de fraude e mudança da cor política do Governo iam querer voltar a colaborar com a IN-DRA se achassem que tínhamos feito algo de irregular?”, questionou. O responsável sublinhou que a Indra está envolvida em processos eleitorais “muito transparentes, muito claros”, que não deixam dúvidas para ninguém, nem para o Governo nem para a oposição.

“O que acontece agora é que é um momento de ruído político normal, mas nós não estamos no plano político, estamos no plano técnico, estamos a fazer uma implementação técnica do processo eleitoral”, prosseguiu. Eduardo González afirmou que se a Indra estivesse por trás de uma fraude eleitoral em 2017, os partidos da oposição teriam levado as denúncias, sustentadas com provas, ao tribunal: “Essas provas são simples, eles [representantes dos partidos] estão nas assembleias, eles têm cópia dos boletins e das actas síntese e podem fiscalizar esses dados, eles fizeram esse trabalho, mas não encontraram irregularidades”, vincou.

A UNITA, principal partido da oposição, tem contestado a escolha da Indra, responsável pelas soluções tecnológicas das eleições gerais de 2008, 2012 e 2017, nas eleições previstas para Agosto deste ano e já anunciou que iria impugnar o concurso, acusando a empresa de práticas fraudulentas.

Reacção da UNITA

O presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Liberty Chiyaka, disse, ontem, à imprensa que o seu partido quer impugnar o concurso público que seleccionou a INDRA, para fornecer a solução tecnológica eleitoral por “falsa identidade”.

De acordo com o deputado, a CNE diz que foi a INDRA Sistemas SA, escolhida para organizar o processo eleitoral em Agosto próximo, mas na sua página da internet refere outra empresa, uma associada, designada Minsait, que concorreu e venceu.

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